8.5.08

PRA QUEM NÃO VIU SHINE A LIGHT, E PRA QUEM VIU TAMBÉM...



Esqueça os comentários que você ouviu por aí, os que você leu em tantas outras publicações, ou mesmo aquilo que você espera de um show dos Rolling Stones. O registro no Beacon Theater em 2006 por Martin Scorsese sobre a longevidade dos Rolling Stones não é apenas isso, é um documento distinto dos demais registros de shows da banda.

Então aqui vai alguns detalhes que só a visão de Scorsese teve a peculiaridade de encarar, e outros que a gente perceber só por ser Rock and Roll:

- Scorsese soube filmar tudo aquilo que não foi filmado nos muitos registros já existentes. Suas experiências anteriores, na área e mesmo nos seus filmes, deram a peculiar visão para filmar a banda mais imprevisível do planeta.

- a cumplicidade entre todos da banda é realmente um resultado de anos de convivência, e Mick Jagger e Keith Richards já superaram as divergências do passado. A intimidade dos dois ao dividir um microfone é um desses pontos que são emblemáticos na película.

- Ronnie Wood é o membro mais Rolling Stones entre todos os outros integrantes que já passaram pela banda. E a costura de guitarras entre ele e Richards é providencial, como o velho pirata Sparrow diz nas entrevistas que Scorsese resgatou para o show ter a acunha de documentário: “Somos péssimos sozinhos, mas juntos valemos por dez”.

- Keith Richards: a cusparada de cigarro; a indiferença para quem é Cristina Aguilera; a reverência transposta em uma guitarra dada, em cima do palco, para Buddy Guy; o fato de estar feliz simplesmente de estar aqui; a alegria de tocar guitarra, tanto para ele quanto para o público, e de qualquer outra coisa estampada em sua face; o desapego sobre sua própria fama.

- o fato de Charlie Watts ser um dos melhores bateristas de rock sem precisar fazer nenhum solo, e não pintar os cabelos brancos.

- que o convidado Jack White parecia uma criança numa loja de brinquedos, embasbacado com quem dividia o palco.

- que os extras do futuro DVD devem ser do caraleo. Acima da importância de ver esse registro nos cinemas, ter isso em sua discoteca é inevitável e obrigatório.

- Embora a cada close em um determinado músico e seu instrumento, o som deste salta nas caixas de som dos cinemas, vindo para o primeiro plano e mostrando detalhes que geralmente ficam mixados balanceadamente em registros para consumo em massa, a trilha sonora de Shine A Light - que você pode ouvir no trilhasmp3 - é o melhor registro de um show dos Stones desde Get Yer Ya-Ya's Out (1970), que já é um clássico de gravações ao vivo.

- e quem não gosta de Rolling Stones e de Martin Scorsese e não passar a gostar depois de ver esse registro, eu insisto: vai ouvir easy listing numa sala de dentista qualquer para depois arrancar todos os dentes sem anestesia, afinal, não aparecerá no mundo ser humano mais insensível. E, para quem já gosta, já deve ter percebido tudo isso aqui.

4 comentários:

Fabrício disse...

Os Rolling Stones. Na minha infância eu tinha um adesivo de uma lingua colada na frente da minha bicicleta, mas acredito que só entendi o que aquilo significava, bem depois. Em 1994. Quando estes caras vieram ao Brasil. Naquela época já havia a pergunta de quantos anos mais eles podem conseguir ficar na estrada, tocando. E naquele tempo tambêm nos perguntavamos se Richards estaria vivo até o começo do século XXI.
´Que a música está passando por uma revolução jamais imaginada com o advento do MP3 e o fácil acesso a qualquer banda de qualquer lugar do mundo via internet, é um fato. Exixste muita especulação em torno do futuro, muitos dizem que o futuro é a distribuição gratuita de material como já vem fazendo artistas como o Nine Inch Nails. Assim sendo, toda banda passa a se pautar em apresentações ao vivo.
Então, para os críticos dos clássicos, do que "passou" do que é "passado" lembrem-se que para toda banda de 2 minutos de sucesso de hoje em dia, é importante aprender com estes caras aí. Porquê qualquer um pode não gostar dos Rolling Stones, mas não exixste banda que atravessou décadas e começou um novo século como estes caras começaram.
O tempo que esses caras tem de vivencia de palco não é uma aula para uma nova banda. É um curso inteiro, com pós-graduação incluida.
E é apenas rock and roll!!

Dani disse...

IMPECÁVEL....Essa é a palavra que para mim resume o documentario...Scorcese foi fantastico e Stones dispensa comentários...

eduardo disse...

Filmão mesmo! O mais curioso de ter assistido isso no cinema foi ver uma gangue de tiozões empolgados entrando na sala como se estivessem chegando num show - com ruídos e urros bem mais altos do que o recomendável... Foi uma sessão, no mínimo, "conturbada", que quase exigiu a intervenção do lanterninha para aplacar os ânimos... A sessão de cinema mais rock and roll da sua vida: coisa que só os Stones fazem por você! =)

E massa que cê tb curtiu o disco da Kathryn Williams postado no Depredando... Achei msmo maravilhoso! Aconselho baixar os discos de próprias da moça, que são sublimes tb - em especial o "Little Black Numbers" e o "Old Low Light".

Abs!

Angelo de Assis disse...

É, eu também gostei da abordagem dada por Scorcese. Mas para falar a verdade não chegou a ser uma surpresa, eu não esperava menos.

Curiosamente, depois de ver o documentário no cinema por três vezes, passei a gostar um pouco menos dele após ouvir na internet os CDs do filme.

É que algumas das músicas que mais gosto ficaram de fora na edição final, como a bobinha mas adorável "I'm free".

Mas tudo bem, elas estarão no DVD que fatalmente estará na minha estante em breve. After all it's the fucking Stones!

Angelo de Assis